Ter, 12 de Dezembro de 2017
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NewsLetter

O diagnóstico Fonoaudiológico:

Inicialmente gostaríamos de citar alguns conceitos, conforme descrito no Dicionário Aurélio, de três termos que na nossa prática clínica são utilizados para denominar a conclusão do resultado da avaliação audiológica, são eles:

Diagnóstico: conhecimento ou a determinação duma doença pelos seus sintomas.

Laudo: parecer de perito, com a conclusão da perícia.

Parecer: ser provável, opinião fundamentada sobre dado assunto.

Desta forma observa-se que tais termos podem ser utilizados. Cabe ressaltar que a bateria de testes audiológicos, que abrange, audiometria tonal liminar, audiometria vocal e medidas de imitância acústica, avaliam a audição periférica. Os dados desta avaliação devem ser analisados em conjunto, pois permitem determinar o limiar auditivo, classificando a perda auditiva em tipo e grau.

Quanto ao tipo de perda auditiva, esta pode ser classificada em:

Perda auditiva condutiva: qualquer afecção no aparelho condutivo (orelha externa e/ou média).

Perda auditiva neurossensorial (ou sensório - neural): devido a qualquer lesão da cóclea ou nervo auditivo (orelha interna).

Perda auditiva mista: usado para descrever casos nos quais a perda auditiva condutiva e neurossensorial coexistem na mesma orelha.

Perda auditiva funcional ou psicogênica: existe a de causa histérica, gerada por uma gama de fatores psicológicos, sendo uma condição rara a sua prevalência. A perda funcional mais comuns são os casos de simulação.

Perda auditiva central: determinada por uma alteração nas vias centrais da audição. Para o estabelecimento deste diagnóstico é necessário testes complementares a avaliação audiológica básica, como por exemplo: BERA , OEA.

Devemos lembrar que, para classificarmos uma perda auditiva quanto ao seu tipo, é imprescindível a realização de VA e VO. Sem a comparação destes dois exames torna-se inviável a determinação do tipo de perda auditiva. Desta forma, quando realizamos somente a VA, esta não pode ser classificada em termos de tipo de perda (lembrar as freqüências de 250, 6k e 8k Hz, onde normalmente não se realiza a VO).

Para a classificação das perdas auditivas quanto ao grau, no Brasil ainda existe uma certa divergência sobre qual seria a classificação mais adequada. A mais utilizada e a que a maioria dos autores se refere é a de Davis & Silverman (1970). Baseia-se na determinação do grau a partir da média de três freqüências (500, 1000 e 2000Hz). Desta forma encontramos: audição normal até 20dB, perda auditiva leve de 21 a 40 dB, perda auditiva moderada de 41 a 70 dB, perda auditiva severa de 71 a 90 dB, perda auditiva profunda acima de 91 dB e anacusia quando apresenta ausência de respostas em todas das freqüências avaliadas.

Além de classificarmos as perda auditivas em termos de tipo e grau, ultimamente, temos levado em consideração também a configuração da perda auditiva.

A configuração por nós sugerida é a de Silman e Silverman (1991), que se fundamenta no perfil audiométrico (plana, descendente, ascendente, curva em rampa, curva em 'U', 'U' invertido, freqüência alta, audiograma de canto, entalhe em 4000-6000Hz e entalhe de Carhart). Gostaríamos de deixar claro que as classificações aqui descritas são sugestões dos Conselhos. O importante é que, no momento da classificação da perda, leve-se em conta: o resultado da avaliação audiológica completa (audiometria, logoaudiometria e medida de imitância acústica); não classificar frequência isolada em termos de grau, e principalmente, classificar as perdas baseando-se em publicações científicas, SEMPRE.