Ter, 12 de Dezembro de 2017
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Cuidados com os equipamentos audiológicos:

Um dos pontos mais importantes e cruciais na realização de exames audiológicos está baseado na questão dos cuidados com os equipamentos por nós utilizados. A má conservação dos equipamentos ou o erro na calibração ou aferição do equipamento, faz com que o profissional tenha uma errônea interpretação dos resultados obtidos, causando sérios prejuízos para o indivíduo sob atendimento. Devemos ter sempre em mente que a Lei nº 6965/81, que regulamenta nossa profissão, nos dá uma série de direitos, mas também nos dá responsabilidade civil e criminal, indelegáveis, perante nossos atos. Desta forma, independentemente de quem for o proprietário do equipamento, é de responsabilidade do fonoaudiólogo (que realiza o exame), mantê-lo em perfeitas condições de uso, recusando-se a utilizar um equipamento que esteja fora dos padrões internacionais. Os cuidados aqui estabelecidos, são baseados em normas internacionais, e servem como guia para todos os que trabalham na área de Audiologia.

I – Descrição do equipamento:

1. Freqüências: nos audiômetros normalmente utilizados, devem estar disponíveis como tons de referência para testes de condução aérea, pelo menos as freqüências centrais de oitavas fornecidas na faixa de 250 Hz a 6 kHz.

2. Controle de nível do tom de referência: o controle de nível do tom de referência deve abranger uma faixa de 0 dB Nível de Audição (NA) a 80 dB(NA) em 250 Hz e pelo menos 100 dB(NA) entre 500 Hz e 6 kHz.

3. Marcação: o equipamento deverá ter o seletor do nível do tom de referência marcado em dB (NA).

4. Manual de instruções: deve ser fornecido um manual de instruções com o audiômetro. Ele deve incluir pelo menos as informações listadas abaixo:

a) descrição dos recursos fornecidos e instruções completas de operação;

b) descrição da maneira correta de instalação do audiômetro para uso normal a fim de minimizar os efeitos indesejáveis de radiação sonora;

c) identificação dos transdutores e seus níveis de limiar de referência equivalentes. A força estática obtida com o arco deve ser fornecida, bem como se a calibração do vibrador ósseo se refere ao posicionamento no mastóide ou na fronte;

d) características de resposta em freqüência e efeitos mascarantes dos sons de mascaramento apresentados;

e) sensibilidades e impedâncias nominais de todos os dispositivos de entrada; configurações de pinagens para todas as conexões de plugues externos;

f) características de atenuação sonora dos fones;

g) temperatura acima da qual possam ocorrer danos

permanentes ao audiômetro;

h) seleções de Nível de Audição máximo fornecidos para cada freqüência de teste, incluindo limitações devidas à distorção harmônica;

i) no caso de ruído de mascaramento de banda estreita, o fabricante deve declarar a largura de banda real. Devem ser fornecidas informações sobre o método de calibração para ruído de mascaramento de banda larga;

j) procedimentos de manutenção, calibração e cronogramas.

II – Adicionais do equipamento:

1. Fone de ouvido supra-aural: na leitura das diversas normas utilizadas em especificação de audiômetros, pôde-se observar que não existe a obrigatoriedade de utilização de um fone padrão. Entretanto, todas as normas utilizam como padrão os fones TDH 39 e Beyer DT 48. Isto significa que estes são os únicos dois fones que possuem medidas aprovadas pelas normas Internacionais.

1.1. Especificação dos fones TDH 39 e Beyer DT 48:

a) o fone de ouvido Beyer DT 48 deve ser usado com uma almofada plana quando colocado no pavilhão auricular;

b) o fone de ouvido TDH 39 deve ser usado com uma almofada MX 41/AR (ou modelo 51);

c) o fone e a sua almofada, devem ser axialmente simétricos;

d) a construção e o material devem ser adequados para fornecer uma boa vedação acústica entre o fone (ou sua almofada) e o pavilhão auricular;

e) quando colocado em contato com uma superfície plana, o círculo de contato do fone (ou sua almofada) deve ser de um diâmetro comparável com as dimensões sagitais do pavilhão auricular;

f) o material da almofada, se fornecida, não deve ser tão macio que sofra deformações significantes quando o fone é aplicado a um ouvido artificial;

g) o contorno do fone ou sua almofada, se fornecida, deve ser tal que, quando colocado em uma orelha, o contato seja feito com o pavilhão auricular e não com o tecido craniano posterior ao pavilhão;

h) um arco deve ser fornecido para fixar o fone ao pavilhão auricular. O arco deve permitir a separação dos fones horizontalmente por 145 mm.

1. 2. Outros fones de ouvido supra-aurais: quando forem utilizados outros fones de ouvido que não o TDH 39 ou o Beyer DT 48, estes devem fornecer calibração de acordo com as mesmas normas utilizadas nos fones acima referidos, e a sua calibração deve ser fornecida pelo INMETRO.

2. Vibrador ósseo: para a realização de audiometria tonal por condução óssea, o vibrador deve atender aos seguintes requisitos:

a) o vibrador ósseo deve ter uma área de contato plana e circular de 175 mm2 ± 25 mm2. É recomendado adicionar uma borda levemente arredondada, geralmente com um raio em torno de 0,5 mm na área de contato do vibrador para prevenir desconforto;

b) arco: o arco deve ser fornecido para fixar e manter a posição do vibrador ósseo. A força deve ser medida e é estabelecida em norma internacional;

c) o vibrador deve ser colocado na proeminência mastóide não tocando o pavilhão auricular e ajustado para permanecer em uma posição estável.

III – Generalidades:

1. Condições para ambientes de testes audiométricos: a temperatura ambiente no local de testes audiométricos deve estar na faixa permitida pelas autoridades locais para escritórios, ou seja, de 23 °C a 25 °C. O ambiente de testes audiométricos deve permitir a troca suficiente de ar. Os níveis de pressão sonora em um ambiente de testes audiométricos não devem exceder os valores especificados na Resolução CFFa nº 296/03. O objetivo de se ter estas medidas é para garantir:

• um nível mínimo do limiar auditivo de 0 dB;

• um valor máximo permissível da incerteza de medição do limiar auditivo de + 2 dB e de + 5 dB no menor nível do tom de teste.

2. Audiogramas: os limiares auditivos podem ser representados em forma tabular ou graficamente como um audiograma. Para audiogramas, uma oitava no eixo das freqüências deverá corresponder a 20 dB no eixo dos níveis de audição.

3. Simbologia: os símbolos utilizados são os internacionalmente descritos.

IV - Manutenção e calibração de equipamentos audiométricos:

A calibração correta de audiômetros é de suma importância para a obtenção de resultados de teste fidedignos. É essencial que equipamentos audiométricos, quando em uso, sejam calibrados conforme a norma ISO 8253-1. Para assegurar uma calibração adequada, o seguinte plano, consistindo de três fases de testes, é recomendado:

a) fase A - verificação de rotina e testes subjetivos

b) fase B – calibrações

c) fase C – ajustes e manutenções

Nota - Calibração X ajuste: devemos deixar bem claro neste ponto o real significado os termos "calibração e ajuste". Calibrar um equipamento significa verificar somente se ele está de acordo com as normas estabelecidas. No nosso caso, quando se calibra um audiômetro, simplesmente ele é medido e informado se ele está de acordo ou não com a norma utilizada. Se o equipamento não atender às especificações fornecidas nas normas, ele deve sofrer um ajuste ou mesmo uma manutenção , seguidos de uma nova calibração (ajustá - lo se existir algum problema). Este aspecto foi extensamente discutido no grupo de trabalho que está traduzindo as normas IEC e ISO, e teve como finalização a publicação da Resolução CFFa nº 295/03, que dispõe sobre "a calibração de equipamentos eletroacústicos utilizados nas avaliações audiológicas..."

1. Fase A – verificações de rotina e testes subjetivos:

O propósito da verificação de rotina é assegurar, até onde possível, que o equipamento esteja funcionando apropriadamente, que sua calibração não tenha sido alterada significativamente e que seus acoplamentos, cabos e acessórios estão livres de qualquer defeito que possa afetar o resultado do teste. Os procedimentos consistem de testes simples nos quais instrumentos de medição não são necessários. Os elementos mais importantes na fase A são os testes subjetivos e estes só podem ser realizados apropriadamente por um operador com nível de audição estável e com audição dentro dos limites da normalidade (de -10 dBNA a 25 dBNA).

1.1. Procedimentos de testes e verificações:

os testes e verificações descritos a seguir devem ser realizados para atender aos requisitos da fase A.

As verificações cobrirão as interconexões entre o audiômetro e os equipamentos na cabina, os cabos de conexão adicionais e qualquer tomada e conexões da caixa de conexão.

O audiômetro e todos os acessórios devem ser limpos e examinados. Almofadas dos fones, tomadas, cabos principais e adicionais para sinais devem ser verificados quanto a danos por uso ou desgaste.

O equipamento deve ser ligado e aguardado o tempo de pré-aquecimento recomendado. Deve ser conferido que os números de série do fone e do vibrador ósseo correspondam ao conjunto constante no certificado de calibração (feito diariamente).

Deve ser verificado se a saída do audiômetro corresponde ao valor esperado tanto para a VA quanto para a VO, utilizando-se, por exemplo, um nível de audição de 10 dB ou 15 dB. Este teste deve ser executado para todas as freqüências.

Em níveis elevados (por exemplo, níveis de 60 dB para VA e 40 dB para VO) em todas as funções apropriadas (em ambos os fones e vibrador ósseo) e em todas as freqüências, devem ser verificados o funcionamento apropriado, a ausência de distorção, a inexistência de cliques do interruptor, etc. Deve ser verificada a ausência de distorção e intermitência nos fones (incluindo os transdutores de mascaramento) e o vibrador ósseo. As tomadas e cabos devem ser verificados quanto a intermitência e se todas as chaves estão fixas e se lâmpadas e indicadores funcionam corretamente.

Deve ser verificado que o sistema de resposta do equipamento funciona corretamente (diariamente).

Em níveis baixos, deve ser verificada a ausência de qualquer sinal de ruído ou zumbido, sons não desejados (estalos quando um sinal é introduzido em outro canal) ou qualquer mudança na qualidade do tom quando o mascaramento é introduzido. Deve ser verificado que os atenuadores estão funcionando e livres de ruído elétrico ou mecânico e que os interruptores operam silenciosamente e que nenhum ruído radiado pelo instrumento seja audível ao indivíduo sob teste.

Os circuitos de comunicação por fala, devem ser verificados, aplicando-se procedimentos semelhantes àqueles utilizados para a função de tom puro.

Devem ser verificadas as tensões dos arcos dos fones e do vibrador ósseo (quanto a sinais de deformações por uso ou fadiga). Articulações giratórias devem estar livres para retorno à posição inicial e não devem estar excessivamente frouxas.

2. Fase B - Calibrações

As calibrações consistem em medições e comparações dos resultados com normas apropriadas para:

a) as freqüências de sinais de teste;

b) os níveis de pressão sonora produzidos pelos fones

em um acoplador acústico ou ouvido artificial;

c) os níveis de força vibratória produzidos pelos

vibradores ósseos em um acoplador mecânico;

d) os níveis de ruído mascarante;

e) os passos de atenuação;

f) a distorção harmônica.

Nota:

1. Se forem encontradas freqüências ou níveis do tom de teste fora dos limites de tolerância fornecidos na Norma IEC 645-1, o equipamento terá que ser submetido a ajustes e manutenção (fase C). Após um procedimento de ajuste e/ou manutenção, o equipamento deverá ser recalibrado.

2. Recomenda-se afixar ao equipamento uma etiqueta com a data da calibração (fornecida pelo laboratório de calibração) e a data prevista para a próxima calibração (preenchida pelo usuário).

3. Fase C – Ajustes e manutenções: ajustes e/ou manutenções devem ser realizados por um serviço competente. O procedimento deve ser tal que depois que o equipamento audiométrico tenha sido submetido a um ajuste e/ou manutenção, o mesmo atenderá aos requisitos fornecidos na Norma IEC 645-1.

4. Intervalos entre verificações: os intervalos recomendados entre os quais as várias verificações devem ser realizadas são somente uma referência. Eles devem ser seguidos, a menos que haja a evidência de que um intervalo diferente seja apropriado. Recomendase que os procedimentos de verificação da fase A sejam realizados por completo semanalmente em todos os equipamentos em uso. As calibrações, fase B, devem ser executadas, preferencialmente em intervalos de seis meses. O intervalo máximo entre tais calibrações não deve exceder doze meses. O nível de ruído de fundo no ambiente de teste deve ser verificado anualmente, a não ser que mudanças significativas sejam detectadas, quando então a verificação deverá ser realizada imediatamente. Os ajustes e manutenções, fase C,

somente são necessários quando ocorre uma falha na fase A e/ou B ou quando, depois de um longo período de tempo, se suspeita que o equipamento não esteja atendendo completamente as especificações.