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Perda auditiva associada à aceleração do declínio cognitivo, demência e Alzheimer nos idosos

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por Kendra Chihaya
Sex, 23 de Agosto de 2013 20:19
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De acordo com o estudo que acompanhou por mais uma década cerca de 2000 americanos acima dos 50 anos, aqueles que tinham perda auditiva tiveram até 40% de declínio cognitivo com relação aos que possuíam audição normal.

 

health-012213-002-617x416Segundo estudo conduzido pela Universidade Johns Hopkins e publicado na revista Archives Of Neurology, e na JAMA-Journal Internal Medicine em fevereiro deste ano, adultos acima dos 50 anos, com perda auditiva são mais propensos a desenvolver declínio cognitivo, demência e até mesmo Alzheimer. Segundo o estudo, o risco de desenvolver estas doenças aumenta à medida que aumenta o grau de perda auditiva no idoso.

 

"Nossos resultados mostram que a perda auditiva não deve ser considerada uma parte insignificante do envelhecimento, pois pode vir com algumas consequências graves a longo prazo para o funcionamento saudável do cérebro", diz Frank Lin,MD, PhD, Otologista/ Epidemiologista, Professor assistente na Hopkins School of Medicine da Universidade Johns e Pesquisador Sênior do Estudo.

 

Até 2050 cerca de 100 milhões de pessoas em todo o mundo, ou quase 01 a cada 85 pessoas no mundo serão afetados por demência ou problemas cognitivos, segundo informações dos pesquisadores. Intervenções que poderiam atrasar ou evitar este problema podem levar a uma diminuição de até 10% destes índices. Por isso, que é muito importante observar estes grupos de riscos. Alguns outros fatores, além da perda auditiva e a idade, que devem ser observados são: o baixo envolvimento em atividades de interação social e lazer, vida sedentária, obesidade, diabetes mellitus, derrame e hipertensão.

 

"Os resultados enfatizam o quão importante é para os médicos ouvir e discutir com seus pacientes, quando o mesmo apresentar qualquer um destes sintomas e principalmente ser proativo na resolução de qualquer perda de audição ao longo do tempo", diz Lin.

 

 

Sobre o Estudo

d-flag-yl-how-long-3 4O estudo acompanhou 1984 americanos, acima de 50 anos, por mais de uma década. De acordo com o pesquisador sênior do estudo e Johns Hopkins otologista e epidemiologista Frank Lin, MD, Ph.D., todos os participantes do estudo tinham a função cerebral normal, quando o estudo começou em 2001, e foram inicialmente testados para a perda auditiva. Dos participantes, 125 tinham perda auditiva de grau leve (25 a 40 decibéis), 53 apresentaram perda auditiva de grau moderado (41 a 70 decibéis) e seis apresentaram perda auditiva severa (mais de 70 decibéis).


Durante o estudo, os voluntários foram submetidos a repetitivos testes de cognição, por mais de seis anos, e acompanhados em suas atividades por 12 anos. Foram realizados, a cada 02 anos, dois testes: o 3MS, que mede a função Global e o Digit Symbol Substitution Test que mede a função executiva cerebral. O resultado mostrou que algumas habilidades cognitivas diminuíram cerca de 30 a 40 por cento, mais rápido, durante o período nos portadores de perda auditiva, do que aqueles cuja audição era normal. Níveis de declínio da função cerebral foram diretamente relacionados à quantidade de perda de audição, dizem os pesquisadores. Em média, as pessoas com grau leve de perda auditiva desenvolveram um prejuízo significativo em suas capacidades cognitivas 3,2 anos antes do que pessoas com audição normal. Na média, após 12 anos, dos portadores de perda auditiva, 58 indivíduos foram diagnosticados com demência, incluindo 37 que desenvolveram Alzheimer.


O risco de demência aumentou entre as pessoas com perda de mais de 25 decibéis de audição, com novos aumentos dos riscos observados entre aqueles com perda auditiva moderada ou grave, em comparação com perda auditiva leve. Para os participantes de 60 anos de idade e mais velhos, mais de um terço (36,4 por cento) do risco de demência foi associada com a perda de audição. O risco de desenvolver a doença de Alzheimer especificamente também aumentou com a perda de audição, de tal forma que para cada 10 decibéis de perda de audição, o risco adicional aumentado em 20 por cento.

 

lin.dementia - half photoPossíveis explicações para a perda cognitiva, Lin diz, incluem os laços entre a perda auditiva e isolamento social, a solidão já foi bem estabelecida em estudos anteriores como um fator de risco para o declínio cognitivo. O alto grau de perda auditiva pode também forçar o cérebro a dedicar muito de sua energia para processamento de som, e diminuindo a energia que deveria ser gasta na memória e no pensamento. Acrescenta também pode haver alguns danos comuns subjacentes que conduz à perda de audição e problemas cognitivos como vida sedentária, alcoolismo, tabagismo, obesidade, doenças como hipertensão, diabetes, derrame entre outros, acrescenta o pesquisador.

 

O estudo, que foi financiado pelo National Institutes of Health, chegou às seguintes conclusões: "A perda auditiva é independentemente associada com a aceleração do declínio cognitivo e cognitivo incidente em residentes na comunidade de adultos mais velhos. Mais estudos são necessários para investigar, qual é a base mecanicista desta associação, e se as intervenções de reabilitação de perda auditiva poderiam afetar o declínio cognitivo nestas comunidades."

 

Referência: Frank R. Lin et al. Hearing Loss and Cognitive Decline in Older Adults JAMA Internal Medicine , 2013; 1: DOI: 10.1001/jamainternmed.2013.1868



Fonte: Universidade Johns Hopkins

 

 

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